A polineuropatia diabética é uma das complicações mais comuns e debilitantes do diabetes mellitus, afetando uma parcela significativa de pacientes que convivem com a doença por longos períodos. Caracterizada pela lesão dos nervos periféricos, ela se manifesta principalmente através de dor, formigamento e perda de sensibilidade, especialmente nos pés e nas pernas. Embora o controle glicêmico seja a base da prevenção, o manejo da dor neuropática requer uma abordagem multifacetada.
Neste contexto, a acupuntura médica surge como uma opção terapêutica não-farmacológica robusta, sustentada por evidências crescentes na literatura científica. Este artigo explora de forma detalhada e acessível como a acupuntura funciona no tratamento dessa condição, quais são os protocolos utilizados e como ela se integra ao tratamento médico convencional.
O que é a Polineuropatia Diabética?
A polineuropatia diabética é um tipo de neuropatia periférica causada pelo metabolismo anormal da glicose. Quando os níveis de açúcar no sangue permanecem elevados por muito tempo, eles desencadeiam uma série de reações químicas tóxicas para os nervos. Além disso, o diabetes frequentemente danifica os pequenos vasos sanguíneos (capilares) que nutrem os nervos, resultando em isquemia (falta de oxigenação) e lesão das fibras nervosas.
Essa condição é tipicamente simétrica, ou seja, afeta ambos os lados do corpo, e segue um padrão de “luva e meia”, acometendo primeiro os dedos dos pés e progredindo em direção às panturrilhas e mãos à medida que a doença avança.
Impacto Clínico
50%Estima que metade dos pacientes com diabetes de longa data desenvolvam algum grau de neuropatia, embora muitos permaneçam assintomáticos nos estágios iniciais.
Sintomas e Diagnóstico
Os sintomas da neuropatia diabética podem variar de leves a incapacitantes. É fundamental reconhecê-los early para iniciar o tratamento e prevenir complicações graves, como úlceras nos pés e amputações.
Manifestações Clínicas Comuns
- Sintomas Sensoriais Positivos: Dor lancinante (como choques), queimação, sensação de agulhadas e formigamento (parestesia).
- Sintomas Sensoriais Negativos: Entorpecimento, perda da sensibilidade ao toque, calor ou frio.
- Sintomas Motores: Fraqueza muscular, atrofia dos músculos do pé, alterações na marcha e perda de reflexos.
- Sintomas Autonômicos: Em casos mais avançados, pode haver tontura ao levantar-se, alterações na sudorese e problemas gastrointestinais.
Quando Procurar Atendimento
O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por um médico, complementado por testes de sensibilidade (como o monofilamento de Semmes-Weinstein) e exames de eletroneuromiografia em casos selecionados.
| Grupo de Sintomas | Características Principais | Conduta Inicial Sugerida |
|---|---|---|
| Dor Neuropática | Queimação, choques, piora à noite | Avaliação médica para analgésicos e adjuvantes |
| Perda de Sensibilidade | Dificuldade em sentir temperatura ou dor | Inspeção diária dos pés, cuidados podológicos |
| Alterações Motoras | Queda do pé, tropeços frequentes | Fisioterapia motora, uso de órteses |
Tratamento Convencional
O manejo farmacológico da dor neuropática diabética é complexo e visa modular a transmissão de sinais de dor no sistema nervoso central e periférico. Não se trata apenas de “mascarar” a dor, mas de corrigir a hipersensibilidade neuronal.
Medicamentos de Primeira Linha
As diretrizes internacionais recomendam, como primeira escolha, antidepressivos tricíclicos (como amitriptilina) ou inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (como duloxetina e venlafaxina), além de anticonvulsivantes (gabapentina e pregabalina).
- Gabapentina e Pregabalina: Atuam nos canais de cálcio, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios que causam dor.
- Duloxetina: Aumenta a disponibilidade de serotonina e noradrenalina, que participam das vias inibitórias da dor no cérebro e medula.
- Amitriptilina: Embora eficaz, seu uso é limitado por efeitos colaterais como boca seca, sonolência e ganho de peso.
Bloco de Dica Especialista
O tratamento medicamentoso pode causar efeitos adversos significativos, como tontura e confusão mental, especialmente em idosos. Por isso, terapias não-farmacológicas, como a acupuntura, são incentivadas para reduzir a carga de medicamentos necessária para o controle da dor.
Acupuntura no Tratamento da Neuropatia
A acupuntura médica é uma prática que envolve a inserção de agulhas filiformes em pontos anatômicos específicos. No contexto da polineuropatia diabética, seu objetivo não é apenas aliviar a dor, mas melhorar a condução nervosa e a microcirculação na região afetada.
Mecanismos de Ação
A neurofisiologia moderna oferece explicações robustas para os efeitos da acupuntura na dor neuropática:
Eletroacupuntura: Potencializando o Efeito
Estudos clínicos sugerem que a eletroacupuntura, onde uma corrente elétrica suave é aplicada aos pares de agulhas, pode ser superior à acupuntura manual para neuropatias. A estimulação elétrica de baixa frequência (2-10 Hz) é particularmente eficaz na liberação de endorfinas.
Protocolo Clínico Típico
| Modalidade | Mecanismo Principal | Vantagens | Considerações |
|---|---|---|---|
| Anticonvulsivantes | Modulação de canais de cálcio | Redução aguda da dor intensa | Sonolência, tontura, dependência |
| Antidepressivos | Modulação de neurotransmissores | Trata dor e depressão associada | Efeitos anticolinérgicos, adaptação |
| Acupuntura/Eletroacupuntura | Neuromodulação e melhora vascular | Sem efeitos sistêmicos graves, melhora função nervosa | Requer sessões múltiplas, não é cura única |
Benefícios e Segurança
Para o paciente diabético, a acupuntura oferece vantagens únicas. Ao contrário dos medicamentos, que são metabolizados pelo fígado e filtrados pelos rins (órgãos frequentemente sob estresse em diabéticos), a acupuntura atua localmente e via sistema nervoso com pouca ou nenhuma carga sistêmica.
Checklist de Benefícios
Contraindicações e Cuidados
A acupuntura é contraindicada em pacientes com distúrbios graves de coagulação ou aqueles que utilizam marcapassos cardíacos (especificamente para eletroacupuntura). Além disso, em diabéticos com neuropatia avançada, os cuidados com a assepsia dos pés são redobrados para evitar infecções nos locais de punção, embora o risco seja mínimo quando realizado por médico especialista.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A acupuntura cura a neuropatia diabética?
Quantas sessões são necessárias para sentir alívio?
A acupuntura dói?
Posso parar os remédios se fizer acupuntura?
Existe risco de infecção nos pés?
A eletroacupuntura é perigosa para o coração?
Quais pontos do corpo são agulhados?
Como saber se o profissional é médico acupunturista?
O tratamento é coberto pelos planos de saúde?
A acupuntura ajuda no controle do açúcar no sangue?
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